terça-feira, 5 de agosto de 2008

Anti-Justine ou As Delícias do Amor



"Anti-Justine, ou As Delícias do Amor" é um dos projetos mais delirantes e envolventes do Núcleo 1408. Delirante, evidente, porque o romance é uma das peças mais delirantes da literatura erótica - contraponto à filosofia libertina de Marquês de Sade, o romance de Restif de La Bretonne soma mais de duzentas páginas de puro sexo consentido, sem a violência característica da obra de Sade e da literatura libertina da sua época. A anti-Justine do título é Conchette Ingênua - enquanto a Justine de Sade é uma orfã violentada pelo mundo, Ingênua é introduzida ao mundo da libertinagem pelo pai, Cupidonet, o narrador em primeira pessoa do romance. A tradução que demos às "delícias" do título é sobretudo visual - cor e movimento, figuras de grande beleza, no figurino de Hévelin Gonçalves, atravessam o largo espaço do palco. O sexo está em cena, mas não em cenas de sexo somente - o desafio de tratar de forma poética o tema mais batido do mundo estava em trazer o sexo para cada gesto e respiração. Anti-Justine também foi pretexto para um estudo da forma no palco, para o movimento abstrato no teatro. Não foi um espetáculo montado duas vezes, foram dois espetáculo da mesma fonte, um conceito em desenvolvimento, uma pesquisa contínua. Esperamos o momento fortuito de montar a terceira versão. Até lá, divirta-se, caro leitor, com as amostras das delícias de Restif de La Bretonne, e do Núcleo 1408.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Trecho do Romance


- CAPÍTULO V -

Do Bom Marido Espartano


"Antes, porém, de passar aos quadros que acabo de prometer, devo narrar resumidamente uma aventura extraordinária que me ocorreu na rua Saint-Honoré, aos vinte anos completos, quando eu estudava Direito.

Meu quarto ficava defronte à casa de um velho relojoeiro que tinha uma mulher jovem e encantadora. Era sua terceira esposa. A primeira fizera-o perfeitamente feliz durante doze anos, foi uma embriaguez. A segunda, durante dezoito anos, com o auxílio de uma irmã mais jovem que a substituía quando de suas menores indisposições para que seu marido jamais fodesse sem gosto. Tendo a excelente esposa falecido, o relojoeiro casara-se, aos sessenta anos, com a linda e deliciosa Fidelinha. Supostamente filha de um arquiteto ou de um marquês. A beleza dessa terceira mulher não encontrava equivalência em maciez e provocação. Seu marido a adorava, mas não era mais jovem! No entanto, como era rico prodigava-lhe tudo o que ela parecia desejar. Porém não alcançava o objetivo, e Fidelinha sentia-se cada vez mais triste. Finalmente, uma noite, o bom marido disse-lhe:


- Meu anjo, eu te adoro e sabes disso. Contudo estás tão triste, e eu temo por seus dias preciosos. Não aprecias nada de tudo o que faço por ti? Fala, é um amigo carinhoso que te suplica! Diz-me o que desejas. Tudo, tudo o que estiver ao meu alcance será concedido!


- Oh, tudo? - disse a jovem.


- Sim, tudo, até... Falta algo ao teu coração? Ou será que falta algo a tua divina coninha?


- Preenches meu coração marido querido, mas meus sentidos são quentes demais e, embora loura acizentada, sinto em minha joinha comichões... terríveis.


- Pouco te importa quem a satisfaça, ou tens alguma preferência?


- Sem amar, tenho uma preferência... um capricho... Mas amo apenas a ti.


- Quem excita a tua mão que vejo nesse momento mexer em sua linda coisinha?


- Olha! Esse vizinho de quem já me queixei... que fica me olhando...


- Compreendo... Deves ter-me achado bem obtuso... Vai tomar banho, anjo adorado, volto num instante.


Ele correu para falar comigo:


- Jovem vizinho? Dizem que gostais da senhora Foulin, a relojoeira.


- Dizem a verdade: eu a adoro.


- Então vinde.


- Aconteça o que acontecer, vamos!


Ele pegou em minha mão e fomos até a sua casa.


- Despi-vos. Entrai no banho que minha mulher acaba de deixar, eis a toalha. Regalai-a como uma recém casada ou poupai-a para várias noites, a escolha é vossa ou dela... Adoro a minha Fidelinha, mas quanto a essa esposa querida, fico contente sempre que a vejo satisfeita, feliz. Depois de tê-la fornicado, depois que sua coninha tiver descarregado bem, eu irei, por minha vez, foder ela um pouco, para prestar minha modesta homenagem.


Ele me fez entrar na cama onde sua mulher já estava desde que acabara de banhar-se. Quando ia deixar-nos:

- Maridinho querido- exclamou a tímida pombinha - vais me deixar sozinha com um desconhecido? Por favor, fica! E se me amas, sê testemunha dos prazeres que só deverei a ti.


E ela nos beijou a ambos na boca... A cama era grande, o bom Foulin se meteu nela conosco... Montei no ventre da jovem casada com as tochas acesas diante de seu marido e enfiei firme. Ela reagia com fúria.


- Coragem minha mulher! - gritava o excelente marido, acariciando seus colhões. - Descarrega, minha filha, levanta o traseiro! Enfia a língua!... Teu fodedor vai te inundar! E tu, jovem vara, mergulha, mergulha! Desbasta-a, desbasta-a...


Descarregamos como dois anjos. Fodi-a seis vezes durante a noite, e os dois esposos ficaram muito satisfeitos comigo. Usufruí desse gosto celeste e mais do que humano até o parto de Fidelinha, que perdeu a minha vida cedendo-a ao fruto de nossa fornicação.

quinta-feira, 17 de julho de 2008

CENA - Dos Conselhos Paternos




DOS CONSELHOS PATERNOS

AUTOR
Finalmente chegamos à época tantas vezes anunciada das fodas principais. Se eu as contasse sem preparação, essas surpreenderiam. Para evitar que fosse estropiada, era essencial que se alargasse a cona de Conchette, evitando, entretanto, prodigar-lhe descarregadores demais na cona. Os espectadores verão como procedi para chegar a isso. Nada mais deslocado numa obra como essa do que uma dissertação filosófica: ela se tornaria insípida, e, por isso mesmo, desvalorizaria a filosofia. Meu objetivo moral, tão importante como qualquer outro, é proporcionar um Erotikon apimentado aos que possuem temperamento preguiçoso. Foi o que vi vários homens fazerem utilizando para tal livro tão perigoso como Justine, ou Os Infortúnios da Virtude, escrito por aquele velho de longas barbas, que os revolucionários encontraram ocupando a Bastilha.

ATRIZ
Após passado um dia do ocorrido no jardim, disse Cupidonet à sua filha:

CUPIDONET
Tu sabes, filha caríssima, que os teus sentimentos para comigo me encheram de gratidão e admiração. Aprovo inteiramente o fato de teres oferecido a Indecis a virgindade do teu belo cu. Aceito com arrebatamento a tua dedicação a mim. Mas filha celeste, é para a tua felicidade que proponho a tornar tua cona e teu cu úteis. Não pretendo, como um sultão, conservar-te para os meus prazeres exclusivos. Terás alguém que te pague. Qual dos homens que desejam a tua virgindade preferes?

ATRIZ
Conchette-Ingênua mordeu os lábios e hesitou:

CONCHETTE-INGÊNUA
Assim, agora?

ATRIZ
Mas então se decidiu:

CONCHETTE-INGÊNUA
O mais honesto, papai incomparável. Mas justamente aquele que tem a vara maior.

ATRIZ
Sem controlar sua satisfação:

CUPIDONET
Então mandarei um homem enorme que conheço alargar-te a jóia. Ele não é amável, mas um homem amável poderia te esgotar. Eu e Indecis não te bastaríamos. Mas tenho vários recursos. Só peço a sua inteira submissão.

CONCHETTE-INGÊNUA
Inteira, papai divino.

AUTOR
Chegai ao objetivo e enfrentai o resto: trata-se de alargar uma cona. É preciso portanto que esta seja fodida.

ATRIZ
Cupidonet se ausentou brevemente, e foi buscar o prometido fodedor:

CUPIDONET
Ela é tua, herege;

ATRIZ
E Conchette-Ingênua se colocou em posição para recebê-lo, desejo superlativo ao desejo. O homem despiu a sua vara e despejou-se dentro do seu corpo. Conchette-Ingênua, quando a vara chegou no fundo, soltou um gritinho.

CUPIDONET
Estás enfiando?

ATRIZ
E o homem disse

AUTOR
“Por todos os diabos, sim! E que maravilha, um cetim! Mexe, mexe, herege divina... cona deliciosa...”

ATRIZ
Mas Conchette Ingênua, insaciada, pede ao pai:

CONCHETTE-INGÊNUA
Meu pai querido, vara divina... sinto em minha coninha insaciável... que sou vossa filha... Sinto-o pelo prazer que tenho... com a celeste idéia de meu pai me fodendo. Descarreguemos juntos, querido papai!

ATRIZ
E Cupidonet, rapidamente, e aliviado de um ponta de ciúmes que sentia, despiu suas calças:

CUPIDONET
Meu deus, agradeço-vos por ter-me proporcionado uma filha tão perfeita, cuja coninha saracoteante acaba de me dar uma idéia das delícias que vós mesmos sentia fodendo a sua filha natureza!

ATRIZ
Enquanto o outro homem, estranho àquela reunião, se limitava a falar:

AUTOR
“Como ela é bela fodendo. Parece uma deusa fodendo. Meu deus, como ela é bela”

ATRIZ
Nota do Editor: Aqui faltam cerca de doze linha, omissão indicada na edição de 1798 pela menção outra lacuna.

(abre-se a luz sobre Conchette, ofegante, exausta e muito satisfeita. ela solta uma gargalhada. b.o)

Elenco da Segunda Montagem





Daniel Assunção












Didio Perini












Hévelin Gonçalves












Rui Xavier








Samya Enes










Sheyna Queiroz

Elenco da Primeira Montagem






Eduardo Chagas










Hévelin Gonçalves











Murilo Salles










Priscila Sol











Rafael Castilho









Samya Enes